• Dawton Valentim

Nem tudo precisa ser sobre texto dissertativo-argumentativo

Atualizado: 24 de abr.

A gente já conversou sobre o Enem ter virado o centro de boa parte das aulas do ensino médio brasileiro. Hoje, eu queria trazer essa reflexão para as aulas de produção textual. A gente discute muito, em sala de aula, as tais das 5 competências do Enem para avaliação da redação, concentrando nossos esforços na produção do texto dissertativo-argumentativo.


Prova disso são casos de uso desse texto até mesmo em turmas dos anos finais do ensino fundamental. É difícil pedir ao aluno que não veja redação como fórmula se passamos três anos consecutivos trabalhando predominantemente um mesmo gênero textual.


Em 2015, fui convidado para assumir o laboratório de redação de uma escola e apostei na produção de gêneros textuais diversos para atingir objetivos específicos, pensando a longo prazo. Nesse caminho, tive a chance de explorar a criatividade dos alunos, por meio, especialmente, da escrita criativa e colaborativa. Hoje, essa mesma escola ocupa, por dois anos seguidos, o 1º lugar na nota de redação de seu município.


Veja bem: o foco desse relato não sou eu, mas minha prática. A gente recebe tanta pressão para bons resultados no Enem que parece se esquecer de que todo gênero textual vai demandar do redator competências tais como coesão textual, coerência de ideias, fidelidade à proposta temática oferecida, adequação na escolha de registro…


Se a redação do Enem fosse um álbum de figurinhas, ele certamente poderia ser completado com o exercício de outros gêneros textuais, que desenvolverão pontos específicos do que é preciso para escrever um “texto 900+”. Ou não?

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