• Dawton Valentim

Como usar “A vida depois do tombo” na redação

Atualizado: 23 de abr.

Karol Conká foi, sem dúvidas, uma das presenças mais marcantes da 21ª edição do Big Brother Brasil. Depois de uma sequência tensa de atitudes violentas e conflitos com outros participantes, a rapper foi eliminada do reality com 99,17% de rejeição, a maior não só da edição brasileira do programa, mas também de todas as versões internacionais.


Fora da casa e como parte de uma série de ações para reparação de imagem, Karol protagonizou o documentário “A vida depois do tombo“, em quatro episódios que procuram explorar sua vida antes, durante e depois do BBB.


Se o documentário redimiu ou não as atitudes de Karol, cada um pode dizer, no espaço de seu tribunal particular. Fato é que a narrativa não é nada agradável e não busca “passar pano” para a ex-BBB, colocando-a cara a cara com seus erros e as consequências, inclusive as desproporcionais. Com o pretexto de explicar o “surto” de Conká no BBB, o doc acerta na tentativa de humanizar alguém que foi demonizado pelas más atitudes que teve, mas pesa a mão do drama, no último episódio, tentando fazer uma equivalência entre a relação de Karol com o pai e sua relação com Lucas Penteado, também ex-BBB.


“A vida depois do tombo” também acerta em apontar uma das principais violências que se “esconderam” nas reações às péssimas ações de Karol no BBB: o racismo. Quando xingar a “Kobra” virou trend, ponto de engajamento, foi pela cor de sua pele que ela foi, muitas vezes, desqualificada. E essa ressalva importa porque é a banalização nossa de cada dia que rega violências estruturais, é nela que cresce a ilusão de que vale tudo no processo de responsabilização de alguém que agiu mal. Sem relativizar, mas também sem dar palco para ideias tortas.


Qual é o tema?


O documentário não procura negar o que Karol fez, mas convencer que a reação às ações dela foi desproporcional. É uma espécie de “ok, ela entendeu, próxima pauta…”. Para isso, alguns temas são levantados, como:

  1. Os efeitos da cultura do cancelamento;

  2. A persistência do racismo no Brasil;

  3. O ódio como ferramenta de engajamento on-line.


Parágrafo exemplar


Tema: Os efeitos da cultura do cancelamento na sociedade brasileira.

Nesse contexto de análise sociológica, é importante discutir como a famigerada cultura do cancelamento evoluiu para perigosos episódios de linchamento virtual. No documentário “A vida depois do tombo”, por exemplo, é possível observar a desproporcionalidade das reações negativas que a rapper Karol Conká recebeu, depois de ser eliminada do “reality show” Big Brother Brasil, em 2021, com índice recorde de rejeição. Fora do programa por conta de atitudes condenáveis, Karol não foi só responsabilizada por suas ações, mas também “cancelada” devido a elas. É possível perceber, assim, que o linchamento, enquanto instrumento de reparação, assemelha-se aos gestos violentos que condena.

Bônus


O Guia do Estudante publicou uma das matérias mais completas que já vi sobre o tema da cultura do cancelamento. Para ler, clique aqui.

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