• Dawton Valentim

10 mitos da tecnologia na educação

Atualizado: 24 de abr.

Fui convidado pela Aline Câmara, fundadora do blog “Na aula de português“, para uma conversa ao vivo, pelo Instagram, sobre 10 mitos da tecnologia na educação. A conversa foi linda e ficou gravada lá no perfil do “Na aula”. Para conferir o momento, clique aqui. Neste post, compartilho um resumo desse encontro, desenvolvendo os tais 10 mitos.


Aline e eu ainda aproveitamos o encontro para elaborar um material complementar à live. Em formato de oficina, disponibilizada em meu canal do Youtube, nós sugerimos quatro atividades didáticas que podem ser realizadas com o uso de três ferramentas digitais: o Padlet, o Google Documentos e o Google Planilhas. Confira a oficina abaixo.

O vídeo tem um “sumário” na descrição, de modo que você pode ver em que minuto Aline e eu abordamos uma ferramenta específica.

1. Só professores recém-formados dominam a tecnologia


Se a tecnologia já era associada, quase diretamente, às gerações mais recentes, reforçando o mito dos “nativos digitais”, o ensino remoto reforçou a sensação de que professores com mais tempo de sala de aula têm mais dificuldades para assimilar o uso de recursos digitais em sala de aula. Essa ideia pode servir tanto de “escudo”, atrás do qual muitos profissionais se preservam de críticas e receios, assim como de exclusão, de modo que professores experientes são mais pressionados a lidarem com aprendizados sempre de modo urgente.


2. Todo professor já sabe o básico em tecnologia


Nós, enquanto sociedade, ainda relutamos em admitir completamente que o óbvio precisa ser dito e que o “básico” é relativo. O que é básico? Ligar um projetor é básico? Fazer slides é básico? Gravar e editar videoaulas é básico? Em que régua se mede a complexidade dos aprendizados em tecnologia? A quem essa régua serve? Num contexto em que se tem cobrado cada vez mais resultados e transformações do professor, é, no mínimo, improdutivo partir do princípio de que não há o que precisa ser ensinado, mesmo que seja a quem ensina.


3. Professor digital é aquele que vai além do slide


Mais do que ser um bom aplicador de metodologias ativas por meio de recursos digitais, o professor digital é aquele que compreende o processo de formação do que temos conhecido, recentemente, por cultura digital. Esse conjunto de práticas sociais e, por que não, de tradições, que configuram situações comunicativas, propósitos linguísticos e relações interpessoais e sociais. O professor digital, para muito além de ser capaz de construir slides atraentes, domina seu planejamento o suficiente para saber de que modo a digitalidade pode efetivamente contribuir para o processo de formação de seus estudantes, de modo coerente com seu contexto escolar.


4. Celular em sala de aula só serve para distrair


Ainda me recordo das placas de proibição do uso de celular nas paredes da escola em que estudei. Sinalizações que, além de não desestimularem os alunos a utilizarem os aparelhos para fins não didáticos, acabam distanciando-os de qualquer diálogo a respeito de um uso mais produtivo. Por muito tempo (e talvez até hoje), a escola foi um espaço de medo das transformações sociais que insistiam (e insistem) em bater à porta do espaço em que passamos quase metade de nossa vida até os 18 anos. Na tentativa de preservar uma zona de conforto aparentemente segura e congelada nos anos 1950, a escola se torna, em muitos momentos, anacrônica e desinteressante para gerações cada vez mais multifuncionais, cada vez mais dinâmicas, cada vez mais digitais. E se, ao passo que distrai, o celular também possa formar? E se o celular tornar-se parte da rotina escola, guardados os devidos cuidados, de modo a integrar o estudante, em vez de dizer a ele, constantemente, o que não pode ser feito, o que não é produtivo, o que não é adequado?


5. A tecnologia só serve para momentos extremos


Será? Será mesmo que, antes desse caos todo, a tecnologia já não estava em pauta e em uso? É comum ouvir professores expressando, como quem conta uma piada mesmo, seu intenso desejo de que tudo isso passe para poder voltar a lidar com uma escola analógica. O grande problema é que essa escola já não existia mesmo antes da pandemia e tem ainda menos chances de retornar depois dela. A tecnologia é importante para um planejamento escolar significativo porque é estar conectado ao tempo, ao espaço e à cultura da comunidade escolar que o torna significativo. Nesse sentido, é possível dizer que a tecnologia não faz parte desse processo de construção?


Se não basta constatar a presença da tecnologia no cotidiano “fora da escola” para nos convencer de que ela não é mero efeito de uma situação extrema, que levantemos as possibilidades de facilitação metodológica, de melhoria do gerenciamento de dados, de aprimoramento de recursos avaliativos e uma outra série de contribuições que a digitalidade pode gerar para reforçar o ponto de que ela deve estar na escola porque a escola está numa sociedade cada vez mais tecnológica.


Gostou dessa parte do resumo? Veja a segunda parte no post do perfil do blog “Na aula de português” no Instagram.



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